Audiology - Communication Research
https://audiolcommres.org.br/article/doi/10.1590/2317-6431-2025-3036pt
Audiology - Communication Research
Original Article

Perfil fonoaudiológico de pacientes pós-acidente vascular cerebral isquêmico: prevalência de afasia e nível de ingestão oral

Speech therapy profile of patients after ischemic stroke: prevalence of aphasia and level of oral intake

Ana Letícia Mais; Daiane Bassi; Roxele Ribeiro Lima

Downloads: 0
Views: 27

Resumo

Objetivo: Caracterizar o perfil da população de uma Unidade de Acidente Vascular Cerebral quanto à prevalência de afasia e nível de ingestão oral após primeiro acidente vascular cerebral isquêmico.

Métodos: Estudo quantitativo, transversal e retrospectivo, com coleta de dados em prontuário eletrônico dos pacientes, realizado em uma Unidade de Acidente Vascular Cerebral em Florianópolis, Santa Catarina.

Resultados: A população total da amostra foi de 317 pacientes; destes, 225 foram incluídos. A amostra foi composta predominantemente por homens e idosos. A afasia esteve presente em 23,1% dos pacientes na admissão, com redução para 19,5% na alta. Já com relação ao nível de ingestão oral na admissão e alta, observou-se redução significativa do número de pacientes no nível 1 da Functional Oral Intake Scale e aumento expressivo no nível 5.

Conclusão: Foi observada melhora significativa na gravidade da afasia e na capacidade de ingestão oral durante a internação, especialmente em pacientes submetidos à intervenção fonoaudiológica.

Palavras-chave

Acidente vascular cerebral isquêmico; Acidente vascular cerebral; Afasia; Disfagia; Fonoaudiologia  

Abstract

Purpose: To characterize the profile of the population of a Stroke Unit regarding the prevalence of aphasia and level of oral intake after the first ischemic stroke.

Methods: Quantitative, cross-sectional and retrospective study, collecting data from patients' electronic medical records, carried out in a Stroke Unit in a state hospital in Florianópolis, Santa Catarina State.

Results: The total population was 317 patients, of which 225 were included. The sample consisted predominantly of men and elderly individuals. Aphasia was present in 23.1% of patients at admission, with a reduction to 19.5% at discharge. Regarding the level of oral intake at admission and discharge from the Stroke Unit, it was observed that there was a significant reduction in the number of patients with Functional Oral Intake Scale (FOIS) 1 and a significant increase in FOIS 5.

Conclusion: A significant improvement in the severity of aphasia and in oral intake during hospitalization was observed, especially in patients undergoing speech-language pathology intervention.

Keywords

Ischemic stroke; Stroke; Aphasia; Dysphagia; Speech therapy

References

1 Feigin VL, Brainin M, Norrving B, Martins S, Sacco RL, Hacke W, et al. World Stroke Organization (WSO): global stroke fact sheet 2022. Int J Stroke. 2022 Jan 5;17(1):18-29. http://doi.org/10.1177/17474930211065917. PMid:34986727.

2 Flowers HL, Silver FL, Fang J, Rochon E, Martino R. The incidence, co-occurrence, and predictors of dysphagia, dysarthria, and aphasia after first-ever acute ischemic stroke. J Commun Disord. 2013 Maio;46(3):238-48. http://doi.org/10.1016/j.jcomdis.2013.04.001. PMid:23642855.

3 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à reabilitação da pessoa com acidente vascular cerebral. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

4 Lima RR. Intervenção fonoaudiológica grupal e seu impacto na qualidade de vida de pessoas com afasia [tese]. Curitiba: Universidade Tuiuti do Paraná; 2019.

5 Ribeiro M, Miquilussi PA, Gonçalves FM, Taveira KVM, Stechman-Neto J, Nascimento WV, et al. The prevalence of oropharyngeal dysphagia in adults: a systematic review and meta-analysis. Dysphagia. 2024;39(2):163-76. http://doi.org/10.1007/s00455-023-10608-8. PMid:37610669.

6 IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População do país vai parar de crescer em 2041: estatísticas Sociais [Internet]. Agência de Notícias IBGE; 2024 [citado em 2024 Nov 23]. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/41056-populacao-do-pais-vai-parar-de-crescer-em-2041

7 Lima RR, Rose ML, Lima HN, Cabral NL, Silveira NC, Massi GA. Prevalence of aphasia after stroke in a hospital population in southern Brazil: a retrospective cohort study. Top Stroke Rehabil. 2020;27(3):215-23. http://doi.org/10.1080/10749357.2019.1673593. PMid:31687916.

8 Ferreira-Donati GC, Freitas MID, Silagi ML, Pereira ACMM, Lamônica DAC. Conversando sobre afasia. São Paulo: Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia; 2020.

9 Schlegel D, Kolb SJ, Luciano JM, Tovar JM, Cucchiara BL, Liebeskind DS, et al. Utility of the NIH Stroke Scale as a predictor of hospital disposition. Stroke. 2003 Jan;34(1):134-7. http://doi.org/10.1161/01.STR.0000048217.44714.02. PMid:12511764.

10 Ribeiro PW. Correlação entre a escala internacional de acidente vascular cerebral do Instituto Nacional de Saúde (NIHSS) e a penetração laríngea e aspiração laringotraqueal no acidente vascular cerebral isquêmico [dissertação]. Botucatu: Universidade Estadual Paulista; 2013.

11 Kwah LK, Diong J. National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS). J Physiother. 2014;60(1):61. http://doi.org/10.1016/j.jphys.2013.12.012. PMid:24856948.

12 Moro CHC, Coletto FA, Amon LC, Nasi LA, Gazzana MB, Pontes OM No, et al. Manual de rotinas para atenção ao AVC. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.

13 Cunha RPC, Lima PR, Dias RV, Antognoli IF, Delmora Júnior JL. Demência pós-AVC: uma análise populacional na região do Planalto Norte Catarinense. Rev Foco. 2024;17(3):e4621. http://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n3-068.

14 Marcelino PFS, Monteiro AKC, Santos TSB. Perfil clínico-epidemiológico de pacientes internados em enfermaria de neurologia do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI). J Cienc Saúde Hosp Univ UFPI. 2022;5(1):23-32. http://doi.org/10.26694/jcshuufpi.v5i1.2201.

15 Simão SS, Ritter WRG, Silva MRC, Oliveira MEC, Veríssimo GV, Moraes FM, et al. Hábitos de vida e suas implicações no prognóstico do paciente pós-AVC. Braz J Implantol Health Sci. 2024;6(8):5664-79. http://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p5664-5679.

16 Pedersen PM, Stig Jørgensen H, Nakayama H, Raaschou HO, Olsen TS. Aphasia in acute stroke: incidence, determinants, and recovery. Ann Neurol. 1995;38(4):659-66. http://doi.org/10.1002/ana.410380416. PMid:7574464.

17 Fridriksson J, Hillis AE. Current approaches to the treatment of post-stroke aphasia. J Stroke. 2021;23(2):183-201. http://doi.org/10.5853/jos.2020.05015. PMid:34102754.

18 Ali M, VandenBerg K, Williams LJ, Williams LR, Abo M, Becker F, et al. Predictors of poststroke aphasia recovery: a systematic review-informed individual participant data meta-analysis. Stroke. 2021;52(5):1778-87. http://doi.org/10.1161/STROKEAHA.120.031162. PMid:33719515.

19 Sousa FB. Perfil clínico-radiológico de um grupo de pacientes com AVC isquêmico cardioembólico atendidos em um centro de referência de emergências cerebrovasculares [dissertação]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2015.

20 Deditivis RA, Santoro PP, Arakawa-Sugueno L. Manual prático de disfagia. Rio de Janeiro: Thieme Revinter; 2017.

21 Levy DF, Entrup JL, Schneck SM, Onuscheck CF, Rahman M, Kasdan A, et al. Multivariate lesion symptom mapping for predicting trajectories of recovery from aphasia. Brain Commun. 2024;6(1):fcae024. http://doi.org/10.1093/braincomms/fcae024.

22 Cerceau VR, Pinheiro HA, Boaventura EDS, Matos NM, Lima ZRAA, Stival MM. Prevalência e fatores associados ao risco de disfagia em pessoas idosas da comunidade. Estud Interdiscip Envelhec. 2024;29(1):1-17. http://doi.org/10.22456/2316-2171.128330.

23 Schmitz MAS. Protocolo de atendimento de enfermagem no AVC isquêmico agudo: após uso de trombólise [monografia]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina; 2017.

24 Guarnieri PC, Biorchi da Silva H, Mattos Mezzalira R, Savoldi A. Disfagia na fase aguda do AVC isquêmico em pacientes com e sem trombólise. Rev Neurociênc. 2023;31:1-19. http://doi.org/10.34024/rnc.2023.v31.14745.

25 Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 665, de 12 de abril de 2012. Dispõe sobre os critérios de habilitação dos estabelecimentos hospitalares como Centro de Atendimento de Urgência aos Pacientes com AVC, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União; Brasília; abr 2012.

26 Silva MP. A atuação da fonoaudiologia na prevenção de pneumonia aspirativa em pacientes submetidos à internação hospitalar. Rev Interdiscip Pensam Científico. 2021;7(1):1-13. http://doi.org/10.20951/2446-6778/v7n1a3.

27 Bayer J, Zampini S, Duca AP, Santos RS, Lima HN, Lima RR. Concordância da avaliação da via alimentar entre fonoaudiólogo e médico baseado na escala FOIS: coorte retrospectiva. Distúrb Comun. 2023;35(4):e62197. http://doi.org/10.23925/2176-2724.2023v35i4e62197.
 


Submitted date:
03/06/2025

Accepted date:
06/17/2025

699826f7a953953bf871f85a acr Articles
Links & Downloads

Audiol. Commun. Res.

Share this page
Page Sections